Em séculos passados, uma barriga proeminente era exclusiva dos
privilegiados, um sinal de riqueza e sucesso, um símbolo de não ter de
limpar estábulos ou lavrar a terra. Neste século, não temos de lavrar os
nossos campos. Hoje em dia, a obesidade foi democratizada: todos podem
ter uma barriga grande. Em meados do século xx, o seu pai chamava a este
rudimentar equivalente barriga de cerveja. Mas como é que as mães,
crianças e metade dos nossos amigos e vizinhos que não bebem cerveja têm
uma barriga de cerveja?

Eu
chamo‑lhe barriga de trigo, embora pudesse muito facilmente chamar a
este problema cérebro de croissant, intestino de bagel ou cara de
bolacha, porque não há um único órgão que não seja afetado pelo trigo.
No entanto, o impacto do trigo no perímetro da cintura é a sua
característica mais visível e inegável, uma expressão exterior das
grotescas distorções que os seres humanos sofrem com o consumo deste
cereal. Uma barriga de trigo representa a acumulação de gordura que
resulta de anos de consumo de alimentos que ativam a insulina, a hormona
de acumulação de gordura.
Embora muitas pessoas acumulem gordura nas nádegas e nas coxas, a maioria acumula uma deselegante gordura no perímetro abdominal. Esta gordura “central” ou “visceral” é única: ao contrário da gordura existente noutras partes do corpo, este tipo de gordura provoca processos inflamatórios, distorce as respostas da insulina e emite sinais metabólicos anormais para o resto do corpo. No homem que tem uma barriga de trigo involuntária, a gordura visceral também produz estrogénio, que dá origem a “seios masculinos”. Todavia, as consequências do consumo de trigo não se manifestam apenas à superfície do corpo; o trigo também pode chegar a todos os órgãos, desde os intestinos, fígado, coração e glândula tiróide até ao cérebro. Na verdade, dificilmente haverá um órgão que não seja afetado pelo trigo de uma forma potencialmente prejudicial.
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