Uma fábrica de sapatos manda dois prospetores de vendas para uma região de África, para estudarem as perspetivas de expansão do negócio.
Um envia um telegrama que diz:
SITUAÇÃO DESESPERADA STOP NINGUÉM USA SAPATOS
O outro escreve, triunfalmente:
GRANDE OPORTUNIDADE DE NEGÓCIO STOP NÃO TÊM SAPATOS
PARA O ESPECIALISTA de marketing que não vê sapatos, todos os indícios apontam para o desespero. Para o seu colega, as mesmas condições apontam para a abundância e a possibilidade. Cada um dos prospetores chega ao local com as suas próprias perspetivas; cada um regressa a contar uma história diferente. De facto, tudo na vida chega até nós sob a forma de narrativa; é uma história que contamos.
As raízes deste fenómeno vão muito mais fundo do que apenas a atitude ou a personalidade. Experiências no âmbito das neurociências demonstraram que alcançamos um entendimento do mundo mais ou menos deste modo: primeiro, os nossos sentidos trazem‑nos informações seletivas acerca do que se encontra no exterior; de seguida, o cérebro constrói a sua própria simulação das sensações; e só então, em terceiro lugar, é que temos a primeira experiência consciente do nosso meio. O mundo penetra na nossa consciência sob a forma de um mapa já desenhado, uma história já contada, uma hipótese, uma construção realizada por nós mesmos.




