Atenção à linguagem do choro | Dr. Eduard Estivill

A primeira forma natural de comunicar que o bebé tem, a partir do momento em que nasce, é o choro. É a sua maneira de nos dizer: “Estou aqui. Prestem-me atenção.” Utiliza-o perante situações que desconhece (pessoas estranhas ao seu ambiente) ou perante novas experiências, como quando o levam pela primeira vez para a creche ou o deixam sozinho em frente aos seus colegas e à sua educadora. Neste caso, pode chorar durante várias horas seguidas, mas os pais deixam, mesmo que fiquem de coração partido, porque sabem que é bom para ele e que nenhuma criança ficou traumatizada por ir para a creche.

Dr. Eduard Estivill
As avós, com a sua sabedoria, dizem que é bom que os bebés chorem porque lhes “abre os pulmões”.
Apesar de não estar provada cientificamente, esta ideia indica que estas avós assumem que o choro é algo natural nas crianças e que não lhes faz mal chorar de vez em quando. Hoje em dia sabemos que as crianças choram de duas maneiras completamente diferentes:
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Uma criança pode chorar com sentimento, quando tem um trauma ou quando sente uma dor física ou psíquica (por exemplo, quando não lhe ligamos durante várias horas). É um tipo de choro muito característico, perante o qual os pais e os educadores reagem sempre.
Também há um choro de ação, um grito que poucas vezes vem acompanhado de lágrimas mas que resulta sempre com as mães. Neste segundo caso, a criança não tem nada, quer apenas que a mãe ou o pai reajam. No momento em que se pega nela, se dá miminhos ou se faz o que ela deseja, a criança cala-se.