Como é que ficámos tão doentes? | Dr. Leo Galland com Jonathan Galland

Uma soalheira tarde de setembro em Long Island, Nova Iorque.
Corre o ano de 1956, uma época mais simples. Casas elegantes e todas idênticas alinhadas em fila; as árvores que foram plantadas há pouco tempo ainda são jovens. Há crianças a brincar no exterior em relvados verdes enquanto grandes carros americanos passam devagar. O sol brilha nas entradas acabadas de encher com betão. Um cão ladra ao longe. Ninguém tem muita pressa e este pequeno pedaço da América é tranquilo.


Naquela época mais simples, toda a gente fazia compras na mercearia. Não havia supermercados ou hipermercados. Não havia lojas de produtos saudáveis. Não havia Starbucks, ainda não. Isso só viria mais tarde. Se uma pessoa queria um café, fazia‑o em casa ou tomava‑o num restaurante, servido numa chávena de loiça. Copos para levar? Nem pensar.
Também foi um tempo em que as alergias eram uma coisa fora do vulgar. As alergias eram doenças de que já se tinha ouvido falar. Talvez se conhecesse alguém que era alérgico ao pólen. Talvez se conhecesse alguém que tinha alergia a gatos. Talvez não se conhecesse ninguém com alergias.  As alergias eram raras – e isto apenas há 50 ou 60 anos, um período muito curto de uma perspetiva evolucionista.
Avancemos rapidamente para os nossos dias e constatamos que há um número crescente de pessoas alérgicas a um número cada vez maior de coisas. Segundo a Academia Europeia de Alergia e Imunologia Clínica, atualmente mil milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de alergias. A Associação Mundial de Alergia anunciou que a taxa de alergias está a subir no mundo desenvolvido e no mundo em desenvolvimento.
E aos alergénios clássicos como o pólen e o pó juntou‑se um grupo completamente novo de alergénios. Alimentos comuns, que consumimos todos os dias e que em tempos pareciam seguros, tornaram-se um grande problema para milhões de pessoas. Trigo. Leite. Ovos. Amendoins. E inúmeros outros alimentos. As mais conceituadas publicações médicas proclamaram uma epidemia de asma e a rinite está em ascensão. 
www.leyaonline.com/pt/livros/saude/o-grande-livro-das-alergias/Milhões de pessoas sofrem de pieira, tosse, congestão nasal, ardor nos olhos e comichão na pele. Muitas mais padecem de confusão mental, fadiga, aumento de peso, insónia e outros sintomas associados ao tipo de alergias escondidas que referimos no capítulo anterior. Uma coisa é evidente: as pessoas estão a reagir de uma forma vigorosamente alérgica ao mundo em mudança em que vivemos. E isto é apenas o início.