Tive o privilégio de trabalhar muitos anos com um mestre que me dizia: “Todo o ser humano deve desenvolver-se ao máximo e nunca parar de aprender, pois nunca estamos completos.”
A frase faz-me pensar naqueles momentos em que estamos “estacionados”; são os momentos da imperfeição, da experimentação, das coisas inacabadas, que crescem e morrem sem terem ficado perfeitos ou sequer amadurecidos.
As antigas regras, que nos empurravam para a perfeição, para a eficácia e eficiência totais, levadas ao
extremo por políticas de Certificações de Qualidade ou Kaizen, apontavam para uma normalização hermética e standard de produtos, pessoas e comportamentos.
Certificaram-se as pessoas e os seus comportamentos no sentido da preservação do statu quo, na esperança de conseguir estancar a mudança. E até há bem pouco tempo esse modelo de funcionamento era o nosso.
Certificaram-se as pessoas e os seus comportamentos no sentido da preservação do statu quo, na esperança de conseguir estancar a mudança. E até há bem pouco tempo esse modelo de funcionamento era o nosso.
Só que a antiga ordem das certificações está condenada. A prova disso é o mundo ter ficado neste estado caótico de vazio – o modelo não era sustentável nem suportável do ponto de vista económico, ambiental e emocional.
E a reviravolta, a meu ver, deveu-se à entrada na era das emoções, da procura do bem-estar. Actualmente, as pessoas já questionam a cultura do sucesso e a glorificação da agenda sempre preenchida, que teve o seu expoente máximo com a cultura Yuppie – e que hoje está tão obsoleta como os candeeiros a petróleo que a minha avó usava. Aliás, quando vejo pessoas nessas condições cheira-me sempre a petróleo – andámos a valorizar e a certificar a permanência, mas a permanência ou consistência é o último refúgio daqueles que têm pouca imaginação, como dizia Oscar Wilde.
Re-conclui-se (eu sei que a palavra não existe) portanto que agora temos pela frente um mundo que
está a precisar de ser reinventado, tal como aconteceu na altura da construção da rede eléctrica.O mundo precisa por isso de novos “operários” para a edificação de uma nova cultura. Esqueçam as carreiras, as posições, os prédios altos, pois, como já referi no início, a nossa nova casa é no meio da rua, na Internet, na incerteza.
O desafio de hoje, de amanhã e dos próximos 20 anos (pelo menos) é praticarmos a mudança, a transição e a metamorfose porque as pequenas mudanças que fomos operando já não servem. Já não chega saber ler e escrever várias línguas, devemos também aprender a programar. É a linguagem do futuro que nos dará autonomia para criar as nossas ferramentas de trabalho.





